2009 o ano de todos os desafios

Em paralelo o crime aumenta exponencialmente algum dele particularmente grave e violento enterrando o mito nacional do “país dos brandos costumes”. Estamos a assistir a uma espiral de desgraças sociais que não sabemos ainda quando e como irá parar e reverter.

A crise económica é consequência da crise financeira internacional é certo mas, ao contrário de muitos outros países, Portugal não vivia tempos de crescimento anteriores à recessão. De facto, ao longo do mandato deste Governo sempre crescemos abaixo do desejável, da média da UE e da zona Euro. Ao contrário dos cidadãos desses países que, overnight, acordaram em crise, Portugal já adormeceu em crise e acordou na mesma situação. Veja-se a diferença abissal relativamente a Espanha.

A governação, que impotente foi para colocar a economia a crescer quando essa era uma meta não difícil de alcançar, procurou tapar o sol com a peneira. As previsões macro-económicas do OE 2009 foram um pueril exercício de wishful thinking procurando iludir a realidade (para ser brando na apreciação). O crescimento económico teve de ser corrigido sob a forma de um orçamento suplementar que, ainda assim, peca por irrealisticamente optimista face às previsões das principais instituições económicas nacionais e internacionais em que a depressão acentuada é o principal aspecto a relevar.

Mas 2009 é também o ano de múltiplas decisões eleitorais às quais, aliás, o Governo parece estar muito atento, contrastando com o combate efectivo à crise. A preocupação a outrance com o marketing e a imagem são um sinal indelével desta governação, sobretudo agora em ano eleitoral. Que dizer das cerimónias faustosas de anuncio de construção de estradas a meio milhão de euros cada em plena crise?

De resto, a preocupação com a verdade parece ausente em detrimento com a venda de ilusões. Sejamos francos: em Portugal tem havido uma relação particularmente bizarra entre a governação e a verdade. Os últimos tempos têm sido particularmente reveladores dessa situação: em plena crise de credibilidade com o chamado “caso Freeport”, o primeiro-ministro apresenta, com pompa e circunstância, um relatório sobre educação, laudatório das suas políticas, supostamente emanado da OCDE mas que, afinal, não foi elaborado por aquela prestigiada organização mas antes através da “metodologia da OCDE”. Já sabíamos todos que existe “queijo da serra” e “queijo tipo serra”, ficámos agora a saber que existem “estudos da OCDE” e “estudos tipo OCDE”.

Curiosamente o país parece alheado da realidade e, embora preocupado com a deterioração da situação económica e o crescimento do desemprego, prefere a evasão lúdica do futebol e dos seus inesgotáveis casos, na vertente masculina, ou a sucessão infindável das novelas televisivas, na versão feminina, que disputam arduamente o prime-time generalista.

Importará que os portugueses reconheçam que podem e devem tomar o futuro nas suas mãos e que, democraticamente, têm a capacidade de expulsar os “aprendizes de feiticeiros” que nos conduziram este statu-quo.

É que, ao contrário de Voltaire, acho que a política é uma nobre actividade e a vida pública é um acto de servir os nossos concidadãos e não, como entendeu o ensaísta francês, “a arte de mentir de propósito”.

Para bom entendedor!

¡Atenção! Este sitio usa cookies e tecnologías similares.

Se não alterar as configurações do seu Browser, está a concordar com o seu uso. Learn more

I understand

Lei n.º 46/2012

(...)

Artº 5

1 - "O armazenamento de informações e a possibi-lidade de acesso à informação armazenada no equipamento terminal de um assinante ou utilizador apenas são permitidos se estes tiverem dado o seu consentimento prévio, com base em informações claras e completas nos termos da Lei de Proteção de Dados Pessoais, nomeadamente quanto aos objetivos do processamento.

2 — O disposto no presente artigo e no artigo anterior não impede o armazenamento técnico ou o acesso:
a) Que tenha como única finalidade transmitir uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas;
b) Estritamente necessário ao fornecedor para fornecer um serviço da sociedade de informação solicitado expressamente pelo assinante ou utilizador.

(...)