“A máquina de propaganda do Partido Socialista é muito eficaz, dispõe de imensos meios materiais, que conseguem estabelecer uma mentira como um facto, como por exemplo que, apesar da situação desgraçada – e muita coisa ainda virá para a frente – em que colocou a economia e as pessoas, há um discurso de vitimação e dramatização desta questão, como se o Partido Socialista não tivesse qualquer responsabilidade pela governação dos últimos anos, que nos conduziu ao ponto em que estamos.”
“É como se os problemas tivessem surgido apenas há duas semanas com esta crise política, que, também ela, foi motivada pela intervenção do governo”, acrescentou Pedro Roque, depois de participar naquele que foi o primeiro Conselho Nacional dos TSD, após ter sido eleito secretário-geral, no passado mês de Fevereiro.
Para os TSD, como refere o documento aprovado no final do Conselho Nacional em Alcochete, o pedido de ajuda do governo português ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira representa “uma incontornável admissão de derrota por parte de um Governo que, de há muito tempo e perante os sinais mais que evidentes de degradação financeira, económica e social, se encontrava em estado de negação”.
Embora reconheçam que a situação do país exige austeridade, os TSD defendem a necessidade de se garantir que essa austeridade “não recaia essencialmente sobre quem trabalha”.
Por outro lado, defendem que a austeridade deve ser instrumental, “não só para a consolidação orçamental, mas, acima de tudo, para o relançamento da economia e redução do desemprego”.
Sinal de que alguns elementos dos TSD estão preocupados com a necessidade de se promover uma distribuição solidária dos sacrifícios, que muitos portugueses vão ser chamados a fazer, houve quem sugerisse que nos vencimentos acima de 5.000 euros, o remanescente acima daquele montante fosse pago, temporariamente, em títulos do tesouro.
Para o secretário-geral dos TSD, Pedro Roque, uma proposta deste género não poderia ser subscrita pelos TSD em condições normais, mas deve ser entendida como uma preocupação de promover uma distribuição equilibrada dos sacrifícios exigidos aos portugueses.
“O significado que isso tem é que, numa altura de crise e de austeridade, as pessoas devem ser chamadas a essa austeridade em função dos seus rendimentos”, concluiu Pedro Roque. – Fonte: Lusa