O PEDIDO DE RESGATE FINANCEIRO É A CLARA DEMONSTRAÇÃO DO FRACASSO DESTE GOVERNO

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Efectivamente, na passada quarta-feira, em pleno horário nobre televisivo, o actor
principal - após um primeiro ensaio geral no qual afinou com o seu assessor de
imprensa a “espontaneidade” da sua telegenia e o “improviso” das linhas do texto no
teleponto - anunciou urbi et orbi, em mais uma extraordinária performance dramática
e vitimizante que, “a rejeição do PEC na Assembleia da República, no dia 23 de
Março, agravou de forma dramática a situação financeira do nosso País” logo, o
patriótico Governo, sempre na vanguarda da defesa dos interesses nacionais, via-se
na contingência de recorrer aquilo que eufemisticamente chamou de “pedido de
assistência financeira” que não é mais do que um resgate financeiro para evitar a
bancarrota.
 
Convenhamos que, se do ponto de vista da arte dramática, tal performance poderá
ser candidata a um “Óscar” da Academia de Cinema, já no plano político substantivo,
estamos perante uma incontornável admissão de derrota por parte de um Governo
que, de há muito tempo e perante os sinais mais que evidentes de degradação
financeira, económica e social, se encontrava em estado de negação e foi, não só
responsável pelo estado a que as coisas chegaram como, igualmente, por responder
sempre tardiamente às necessidades sacrificando os portugueses e a economia
nacional.
 
O bailout agora solicitado ao Fundo Europeu e, consequentemente, ao FMI, é a prova
disso mesmo. Ele tornou-se inevitável mas somente perante um agravamento
profundo da situação financeira é que o Governo reagiu. Será aliás curioso verificar
com que cara, alguém que afirmou a outrance “que nunca governaria com o FMI”, se
apresentará a eleições para procurar chefiar um Governo que será obrigado a
governar em sintonia com esta instituição internacional.
 
Sem embargo, os TSD entendem que o pedido de resgate permite, no curto prazo,
aliviar a pressão financeira que se fazia sentir a todos os níveis. Nesse sentido ele é
positivo pecando apenas por tardio.
 
O problema será quando chegar a fatura desta ajuda sob a forma de medidas
draconianas que irão penalizar, ainda mais, quem vive dos rendimentos do seu
trabalho ou das pensões.
 
Os TSD sabem que é incontornável uma política de austeridade para ajudar a
resolver os graves problemas com que nos vemos confrontados. Todavia, importará
que a mesma não recaia essencialmente sobre quem trabalha e é necessário que
seja instrumental, não só para a consolidação orçamental mas, acima de tudo, para o
relançamento da economia e a redução do desemprego.
 
Os TSD estão convictos que os portugueses saberão, tal como em outros momentos
difíceis da sua História, estar à altura das circunstâncias e que, já no próximo dia 5
de Junho, começarão a trilhar novos caminhos que permitam assegurar um futuro
mais promissor para todos.
 
Alcochete, 9 de Abril de 2011